c. 105 d.C.
A Invenção do Papel por Cai Lun e a Revolução da Escrita na China
Em 105 d.C., durante a Dinastia Han, o oficial eunuco Cai Lun apresentou à corte imperial chinesa um método inovador para produzir papel a partir de fibras vegetais, cascas de árvores, restos de pano e redes de pesca. A invenção substituiu suportes pesados ou caros, como tábuas de bambu e tiras de seda, barateando drasticamente o registro escrito. O papel transformou a burocracia imperial, impulsionou a literatura e a filosofia, e eventualmente se espalhou pelo mundo ao longo da Rota da Seda.
Contexto
Antes da virada do século II d.C., a escrita na China dependia predominantemente de tiras de bambu e madeira atadas com cordéis — que eram extremamente pesadas e difíceis de transportar e armazenar — ou da seda, que era um suporte leve, porém inacessível para a maioria devido ao seu altíssimo custo.
Servindo como diretor das oficinas imperiais na corte do Imperador He de Han, Cai Lun desenvolveu um processo de macerar e cozer fibras de celulose vegetal, triturá-las em água até formar uma polpa homogênea e secá-la sobre peneiras de malha fina. O resultado foi uma folha leve, resistente, flexível e infinitamente mais barata de produzir.
Importância e consequências
A popularização do papel teve impactos profundos e universais no desenvolvimento da civilização humana:
- Eficiência Administrativa e Cultural na China: Permitiu a expansão da burocracia do Estado imperial Han, o registro detalhado de anais históricos e a difusão do confucianismo e do budismo por meio da cópia massiva de textos.
- Difusão Mundial pela Rota da Seda: A tecnologia do papel expandiu-se primeiro para a Coreia e o Japão e, após a Batalha de Talas (751 d.C.), foi absorvida pelo mundo islâmico, chegando posteriormente à Europa medieval.
- Base para Futuras Inovações: A disponibilidade do papel foi o pré-requisito indispensável para a posterior invenção da xilogravura e da impressão de tipos móveis (tanto na Ásia Ocidental/Leste Asiático quanto na Europa ocidental séculos mais tarde).
Incertezas: Fragmentos proto-papel foram encontrados em sítios arqueológicos chineses datados de séculos anteriores, mas Cai Lun é universalmente reconhecido por ter sistematizado e padronizado o processo de fabricação em massa para fins de escrita.
Referências
- ANA LÚCIA MEREGE CORREIA. A história do livro: entra em cena o papel. Fundação Biblioteca Nacional, 2020.
- FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. A história do livro: marcos e transformações. 2021. 2021.
- TSUEN-HSUIN TSIEN. Paper and Printing. 1985. Cambridge University Press, 1985.